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	<title>Clinica Selles Guaratinguetá  - Psiquiatria - Neurologia - Psicologia &#187; Deus</title>
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	<description>Clinica Selles Guaratinguetá  - Psiquiatria - Neurologia - Psicologia</description>
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		<title>24 de novembro – Cine Selles exibe o filme: Homens e Deuses</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Nov 2016 19:57:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Baseado em fatos reais, o filme mostra a missão de monges franceses na Argélia, em meio a conflitos do mundo muçulmano. Entre cenas do cotidiano da comunidade e do mosteiro percebemos que em um mundo perfeito não precisaríamos brigar por religião, afinal todas elas nos levam a Deus, só que de maneiras diferentes. Homens e Deuses]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Baseado em fatos reais, o filme mostra a missão de monges franceses na Argélia, em meio a conflitos do mundo muçulmano. Entre cenas do cotidiano da comunidade e do mosteiro percebemos que em um mundo perfeito não precisaríamos brigar por religião, afinal todas elas nos levam a Deus, só que de maneiras diferentes.<br />
Homens e Deuses é quase um tratado sobre religiosidade, boa vontade e respeito ao próximo. Mas o tema do semestre é MALDADE! Quer descobrir por que este foi o filme escolhido para encerrar o Cine Selles de 2016? Você é nosso convidado especial e não pode ficar de fora&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://clinicaselles.com.br/wp-content/uploads/2016/11/mail-mkt-CineSelles-novembro-2016-homens-e-deusessfw.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-3840" src="http://clinicaselles.com.br/wp-content/uploads/2016/11/mail-mkt-CineSelles-novembro-2016-homens-e-deusessfw-723x1024.jpg" alt="mail-mkt-cineselles-novembro-2016-homens-e-deusessfw" width="528" height="747" /></a></p>
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		<title>A Religião e a Felicidade</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Aug 2013 17:33:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Clinica Selles]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[” E quem confia no Senhor,  esse é feliz” (Provérbios) O Cine Selles encerrou em junho a discussão do primeiro semestre de 2013 sobre o tema: FELICIDADE. Inesgotável e intrigante tema. Como definí-lo? Seria talvez como definir uma maçã? É vermelha, cheiro de maçã, sabor de maçã… definimos a maça? Assim é a felicidade, quase]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>” E quem confia no Senhor,  esse é feliz” (Provérbios)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Cine Selles encerrou em junho a discussão do primeiro semestre de 2013 sobre o tema: <em>FELICIDADE</em>. Inesgotável e intrigante tema. Como definí-lo? Seria talvez como definir uma maçã? É vermelha, cheiro de maçã, sabor de maçã… definimos a maça? Assim é a felicidade, quase se define pela própria palavra, mas sua definição comporta muitos outros caminhos para alcançarmos seu significado. O certo é que: todos desejamos e buscamos a felicidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos três encontros anteriores abordamos o tema através da felicidade moderna; do amor ao próximo; e da virtude como caminho para a felicidade. Estes pontos já foram comentados e estão aqui, nos respectivos links:</p>
<p style="text-align: justify;">Felicidade moderna e o filme <em>Sem Limites</em>: <a href="http://clinicaselles.com.br/sinapse/?p=1814">http://clinicaselles.com.br/sinapse/?p=1814</a>;</p>
<p style="text-align: justify;">Felicidade no amor ao próximo e o documentário <em>Quem se Importa</em>: <a href="http://clinicaselles.com.br/sinapse/?p=1881">http://clinicaselles.com.br/sinapse/?p=1881</a>; e</p>
<p style="text-align: justify;">Felicidade através do caminho da virtude e o filme <em>Feitiço do Tempo</em>: <a href="http://clinicaselles.com.br/sinapse/?p=1936">http://clinicaselles.com.br/sinapse/?p=1936</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Deixamos o quarto ponto para o encerramento. Por se tratar da mais delicada, discutível e polêmica questão: A religião é um caminho para a felicidade? A religião produz felicidade? Religião é igual à espiritualidade?</p>
<p style="text-align: justify;">Neste encontro recebemos como convidado especial o Professor Paulo Cesar, filósofo e teólogo que nos esclareceu o significado de Religião. Também tivemos a participação do Padre Fernando, que nos falou de sua experiência e vocação.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que é Religião? Pode ser definida por uma doutrina que reúne um conjunto de crenças e mitos sobre a origem do cosmo, sobre o sentido da vida, sobre o significado da morte, do sofrimento e do além. Utiliza neste processo um conjunto de ritos e cerimônias, um conjunto de sistema ético com leis, proibições, regras de conduta, que são mais ou menos expressos e codificados e que se unem em uma mesma comunidade de fieis.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dado interessante sobre nosso tema de encerramento – Religião traz felicidade? – No Brasil, o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostrou que 92% dos brasileiros referem ter uma religião. Mas nem todos são felizes, pois em outro estudo o Brasil é o 16º país mais feliz do mundo (IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando a questão religiosidade e espiritualidade: Tem o mesmo significado e definição? Não!</p>
<p style="text-align: justify;">A espiritualidade seria uma dimensão mais ampla e mais independente das formas institucionalizadas e específicas encontradas na religião. A religiosidade seria algo atrelado a instituições religiosas, um estado ou necessidade interna. A espiritualidade seria um constructo com dimensão mais pessoal e existencial, como a crença ou relação com Deus, ou um poder superior.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://clinicaselles.com.br/wp-content/uploads/2013/08/A-meditação-nos-ensina-a-viver-o-agora.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-3955" src="http://clinicaselles.com.br/wp-content/uploads/2013/08/A-meditação-nos-ensina-a-viver-o-agora-1024x696.jpg" alt="A-meditação-nos-ensina-a-viver-o-agora" width="491" height="334" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Aqui temos outra questão: as pessoas religiosas são mais felizes que as não religiosas? A resposta é um redundante Sim.</p>
<p style="text-align: justify;">Os motivos são múltiplos e muito interessantes:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Os religiosos adotam um estilo de vida saudável;</li>
<li>Em um grupo religioso, o indivíduo se sente respeitado e considerado;</li>
<li>Em todas as religiões existe esse momento de silêncio e estar com Deus, meditação, que sabidamente ajuda no enfrentamento de problemas;</li>
<li>Todas as religiões propõem um significado de vida; propõem a vida após a morte, o que mitiga a ansiedade da morte;</li>
<li>Deus representa uma figura de apego, que suplementa as afiliações do indivíduo ou compensa a falta destas.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Em síntese, podemos dizer que: ter uma religião não nos torna feliz; mas ser uma pessoa religiosa acarreta mais felicidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que a escolha de <em>“Sete anos no Tibet”</em>, um filme que retrata a religião Budista?</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiramente, o Cine Selles tem a preocupação com a beleza estética e artística do filme. O filme é bem estruturado, com boa fotografia, interpretação, roteiro e mensagem final.</p>
<p style="text-align: justify;">O filme: O roteiro é baseado em livro homônimo. Neste livro, o autor, que se denomina um montanhista, <a title="Heinrich Harrer" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Heinrich_Harrer">Heinrich Harrer</a>, escreve sobre suas experiências no Tibet no período da segunda Guerra Mundial até a invasão Chinesa em 1950. Nesta narrativa, o autor percorre sofridas experiências de prisões, fugas, extremos de temperaturas, esforço em distanciar-se da Índia (para não ser preso) e então chegar no Tibet. Nesta empreitada, descobre o quão fascinante é o lugar, seus peculiares costumes, a forma de lidar com os estrangeiros. Sua jornada culmina com a chegada à capital do Tibet, Lhasa. E o mais importante, em Lhasa, relaciona-se com o Dalai Lama, o líder espiritual do Budismo.  O livro em si não é fascinante, pois reporta experiências visuais, físicas e momentos de êxtase com a natureza que o escritor não consegue transportar em palavras e nãoemociona o leitor. Emociona pelo conjunto. Seu encontro com o Dalai Lama também não contém descrições de experiências espirituais, nem transformações de vida, mas sim um relacionamento de um estrangeiro com uma criança ávida por conhecimento. O livro termina com sua saída do Tibet devido à invasão Chinesa. A invasão causou um mal estar internacional ao colocar a China como o “mal” e despertou o mundo para a luta da libertação do Tibet.</p>
<p style="text-align: justify;">Onde está nossa questão religiosa e espiritual neste filme? O filme – não o livro, mostra a mudança do personagem principal, que transforma o egoísmo extremo em aceitação e preocupação pelo outro. Este caminho é retratado no filme através de sua experiência em um país cheio de contrastes. O aventureiro egoísta tem um verdadeiro choque em seu corpo e alma, dizendo-lhe constantemente o quão pequeno e insignificante é sua condição diante da imensidão do mundo e das outras pessoas. O personagem passa então a reconhecer o outro, e ao mesmo tempo a si mesmo. Desperta sua esquecida função de Pai, negada no começo do filme, mas retomada na relação com o menino Dalai Lama. Ele volta à condição humana, anseia em ser respeitado como pai, tranquiliza-se em sua insana busca de escalar montanhas – compreende que o que buscava era a quietude e bem estar das montanhas, e confessa ter encontrado esse enorme bem estar diante do Dalai Lama.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter  wp-image-3954" src="http://clinicaselles.com.br/wp-content/uploads/2013/08/felicidade-trabalho-1024x640.jpg" alt="felicidade-trabalho" width="498" height="311" /></p>
<p style="text-align: justify;">No filme encontramos o maravilhoso e complexo encontro com Deus. Ou seja, a maravilhosa sensação de <em>Felicidade.</em> Mostra o encontro de duas pessoas, e o quanto essa experiência é transformadora. Mostra que a prática da religião traz bem estar social e felicidade, mas também pontua que a prática da religião não resolve todos os nossos problemas e não garante o encontro com Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Este caminho de encontro com Deus é trilhado por nossa insistência e persistência pela busca da espiritualidade (interna) e religiosidade (prática). Aviso e alívio ao leitor: não é preciso ir ao Tibet, escalar montanhas, sofrer privações ou perdas para encontrar nossos próprios caminhos, encontrar Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Precisamos de tenacidade, metas, crenças, de transformação interior. Precisamos aceitar a débil e transitória condição humana neste minúsculo planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Em nossas discussões do semestre observamos que o sentimento de bem estar ou felicidade não é tão simples e rápido, é uma tarefa que exige esforço e persistência. Enquanto a proposta moderna de felicidade é a de obter, rapidamente, poder, dinheiro e glória, concluímos que o esforço humano em obter felicidade caminha através do aprendizado em amar o próximo, conhecer e melhorar nossas virtudes, ter uma religião, buscar nossa espiritualidade, e quem sabe encontrar Deus!</p>
<p style="text-align: justify;">Todos conhecemos pessoas que já encontraram Deus. Pessoas que estão neste mundo para os outros, sem se esquecer de si mesmas, que deixaram para trás essa ânsia de poder e competitividade, deixaram de desejar o impossível e de alcançar um poder perante os outros. Estas pessoas são mais felizes, com semblantes serenos, tranquilas, que nos transmitem segurança e bem estar.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas pessoas estiveram com Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos nós podemos chegar a essa condição de contato com Deus, de aceitação da nossa insignificante importância no complexo Universo?  Não! Mas se continuar tentando, insistindo e persistindo, Sim.</p>
<p style="text-align: justify;">Frustrante essa conclusão? Parece que alguns seres estão fadados a viver sem essa epifania, sem esse encontro com Deus. Enquanto algumas pessoas são agraciadas com esse privilégio, outros percorrem um longo percurso em uma estrada pedregosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Para nosso consolo, daqueles que ainda não tiveram um encontro com Deus – vocês não estão sozinhos. Carlos Drummond de Andrade em seu poema “A Máquina do Mundo”, descreve a sua caminhada por uma estrada de Minas Gerais, na qual Deus falou com ele, mas ele recusou o encontro. Deus bem que tentou! Mas Carlos respondeu: “… <em>Mas, como eu relutasse em responder a tal apelo assim maravilhoso, pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio…”. </em> O poeta deixa para traz essa possibilidade de estar com Deus, perde esse encontro. E segue seu caminho, sozinho, por uma estrada pedregosa, escura e pesada.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto caro leitor, esse encontro com Deus não é simples! Podemos dizer que é possível para todos, mas parece que somente alguns o reconhecem e aceitam; outros relutam em reconhecer ou enxergar.</p>
<p style="text-align: justify;">A receita é persistir em nossa estrada pedregosa com olhos bem abertos, não desistir, rezar, e quem sabe, um dia, nos encontrarmos com Deus.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bibliografia e links</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Arendt, H. – <em>A Condição Humana. </em> Forense Universitária – 11ª edição – Rio de Janeiro, 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">Bruckner, P. – <em>A Euforia Perpétua. Ensaio sobre o dever da Felicidade</em> – 3ªedição – Rio de Janeiro, 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">Dalgalarrondo, Paulo – <em>Religião, Psicopatologia e Saúde Mental</em>. Artmed, Porto Alegre; 2008.</p>
<p style="text-align: justify;">Drummond de Andrade, Carlos – <em>‘A máquina do mundo’, </em><em>Antologia poética</em> – Record, Rio de Janeiro; 2001.</p>
<p style="text-align: justify;">Moreira-Almeida,A. et al. <em>Religiousness and mental health: a review</em>. Rev.Bras.Psiquiatria. 2006; 28(3):242-50.</p>
<p style="text-align: justify;">Schoch, Richard. <em>A história da (in) felicidade</em>. BestSeller, Rio de Janeiro; 2011.</p>
<p style="text-align: justify;">Stavrova, O et al. <em>Why are religious people happy? The effect of the social norm of religiosity across countries.</em> Social Science Research 42 (2013) 90–105.</p>
<p style="text-align: justify;">IBGE: <a href="http://censo2010.ibge.gov.br/noticias-censo?view=noticia&amp;id=1&amp;idnoticia=2170&amp;t=censo-2010-numero-catolicos-cai-aumenta-evangelicos-espiritas-sem-religiao" target="_blank">http://censo2010.ibge.gov.br/noticias-censo?view=noticia&amp;id=1&amp;idnoticia=2170&amp;t=censo-2010-numero-catolicos-cai-aumenta-evangelicos-espiritas-sem-religiao</a></p>
<p style="text-align: justify;">IPEA: <a href="http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=16526&amp;catid=159&amp;Itemid=75" target="_blank">http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=16526&amp;catid=159&amp;Itemid=75</a></p>
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		<title>Feitiço do Tempo</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Jun 2013 18:06:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;E Deus o fez morrer durante cem anos e logo o acordou e lhe perguntou: &#8211; Quanto tempo esteve aqui? -Um dia ou uma parte de um dia, respondeu.&#8221; (Borges) No terceiro filme do ciclo sobre a felicidade, o Cine Selles apresentou um filme genial, simples e direto. A simplicidade está em todo o roteiro]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#8220;E Deus o fez morrer durante cem anos e logo o acordou e lhe perguntou:<br />
&#8211; Quanto tempo esteve aqui?<br />
-Um dia ou uma parte de um dia, respondeu.&#8221;<br />
(<em>Borges)</em></p>
<p style="text-align: justify;">No terceiro filme do ciclo sobre a felicidade, o Cine Selles apresentou um filme genial, simples e direto. A simplicidade está em todo o roteiro e desenrolar sequencial do tema. Em resumo, é um filme de um indivíduo preso em um lapso de tempo, por alguma razão – não há explicação para esse motivo, e talvez nem necessite. O fato é que o sujeito está lá, parado numa angustiante situação onde não consegue mais sair, nem com a morte!</p>
<p style="text-align: justify;">Convido os leitores a ver o filme. Depois de assistir, assista outra vez… E outra vez… É como reler um livro, aonde em cada momento vamos encontrando palavras que não havíamos nos dado conta. O filme mostra inicialmente o tédio do personagem, sua condição de tristeza causada pela desmoralização de um trabalho sem <em>glamour</em>, e que se manifesta por egoísmo e desdém pelas demais pessoas. Ele fala em conseguir um trabalho melhor, ou mais importante, mas ninguém lhe dá crédito. Acredita ser um “astro” das notícias, mas continua sem causar nenhum interesse por parte das pessoas que o cercam.</p>
<p style="text-align: justify;">A mágica acontece: ele fala sobre o tempo meteorológico, mas é o tempo cronológico que o agarra! Sua visita na pequena (mas “ridícula” em sua opinião) cidade da marmota o traga para uma experiência inusitada: fica paralisado no tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo que ele <strong>não</strong> pediu a Deus! Talvez aos nossos olhos pudesse ser uma dádiva, mas ele entende como um castigo. Tenta de todas as formas livrar-se desta incômoda situação: suicídio, tédio, apatia, e nem percebe que a saída deste labirinto pode estar na música de Cher e Sonny que toca todas as <em>mesmas </em>manhãs as 6:00! A música fala de um amor que basta por si mesmo, simples, ingênuo. Ele anseia algo por Rita, mas o caminho do amor não lhe toca o coração.</p>
<p style="text-align: justify;">Este é o ponto em que entramos no tema da Felicidade: ou a virtude como um caminho para o bem. A virtude como a única forma do <em>bicho-homem</em> se despregar de sua condição animal e ascender, aspirar, tocar a essência de ser homem.</p>
<p style="text-align: justify;">Na discussão também tocamos no tema do movimento humano para o outro, como uma forma de se realizar. Viktor Frankl estava conosco. Esse autor fala da busca de uma razão para ser feliz, e não a felicidade como algo final. O caminho é o que gera a felicidade, a ação é que produz a sensação de felicidade. Desta forma as virtudes que o personagem vai cultivando e treinando no decorrer do filme gera essa sensação de bem estar. O personagem (ou o diretor) leu Aristóteles? Pois é Aristóteles que nos ensina que a virtude é algo adquirida, que nos transforma e nos torna homens. A virtude é uma disposição adquirida de fazer o bem, e o bem não é para se contemplar é para se fazer.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://clinicaselles.com.br/wp-content/uploads/2013/06/feitic3a7o-do-tempo-6.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-3965" src="http://clinicaselles.com.br/wp-content/uploads/2013/06/feitic3a7o-do-tempo-6-1024x554.jpg" alt="feitic3a7o-do-tempo-6" width="513" height="278" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A pergunta seguinte seria: por que fazer o bem gera felicidade? Por que o personagem escapa de sua maldição ao alcançar e praticar diversas virtudes?</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o ponto que desejamos alcançar com esse filme. Recapitulando os filmes anteriores: no primeiro, <em>Sem Limites (Limitless)</em>, falamos da felicidade moderna – precisamos da felicidade e bem estar a qualquer preço, principalmente obtendo sucesso. O que não é tão moderno. Em Fausto, Goethe ilustra muito bem tal necessidade, o pacto diabólico para alcançar a felicidade acaba tornando-se uma armadilha. No segundo, com o documentário<em> Quem se Importa</em>, discutimos o Amor como um caminho para a felicidade, onde o altruísmo gera a sensação de bem estar único e nos regozija com o raro prazer da felicidade. Com <em>Feitiço do tempo </em>retornamos para a felicidade a partir da filosofia, pois esta por definição tem como objetivo a felicidade. A filosofia que nos ensina as virtudes como um modo de nos sentirmos além, de transcender, de nos afastar da bestialidade de ‘bicho-homem’ e alcançar o Homem. Além disso, a virtude nos concede uma sensação de eternidade. Ela também nos proporciona a sensação de pertencer a um grupo. Estar ou se voltar para o outro, acarreta uma sensação de ampliação do tempo vivido e gera esse raro sentimento de felicidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://clinicaselles.com.br/wp-content/uploads/2013/06/scSE92kPEXxY7SC0kU26Cp8SeBq.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-3964" src="http://clinicaselles.com.br/wp-content/uploads/2013/06/scSE92kPEXxY7SC0kU26Cp8SeBq-1024x576.jpg" alt="scSE92kPEXxY7SC0kU26Cp8SeBq" width="519" height="292" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O filme mostra o quanto sofremos em um mundo acelerado e egoísta. O personagem amadurece, aprende que através de valores pessoais e ações pode se transformar em um herói da pequena cidade. Mas não era o status de Herói que ele buscava. Também não é o desejo por Rita que o fez melhor; ele diz textualmente quando ela o convida para um café: <em>“tenho coisas a tratar…”</em>, e sai pela cidade em pequenas tarefas. É emocionante sua corrida para segurar o menino que cai da árvore. Também aprende os limites do ser humano: não é possível salvar o velho da morte. Sofre, mas aprende que a morte <em>“são tantas quantas as pessoas, não possuímos sentido que nos permita ver, correndo a toda velocidade em todas as direções, as mortes, as mortes ativas dirigidas pelo destino a este ou aquele” (Proust)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Aprende que a arte pode ser algo técnico – repetitivo como o piano e as esculturas, mas é um caminho para recuperar sua individualidade e gerar um sentido de si mesmo. Tudo culmina na admiração aos olhos de Rita, esta fica estupefata pela transformação de sua personalidade, que no dia anterior era um rabugento, e durante o ‘<em>Groundhog day</em>’ um notável, admirado e cobiçado solteiro da pacata e acolhedora cidade! Incrível transformação! Ela não hesita em desembolsar todo o seu dinheiro para comprá-lo, em uma lúdica festa, e desfrutar da irradiante magia que emana do personagem no final do dia. Daquele dia que parece ter durado mais de seis meses, ou anos, nem sabemos ao certo quanto tempo durou a magia, mas o certo é que ele conseguiu uma dádiva, uma autorização para desfrutar e aprender em um único dia (ou uma vida) que a felicidade pode ser construída através da virtude. E, para nosso alívio ou lição, segundo a filosofia: – a virtude pode ser aprendida!</p>
<p style="text-align: justify;">Para finalizar o semestre, e a discussão sobre FELICIDADE, o Cine Selles apresenta no dia 27 de junho “<em>Sete anos no Tibet”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A espiritualidade traz a felicidade?</p>
<p style="text-align: justify;">Bibliografia:<br />
<em>A prisioneira,</em> Marcel Proust – Editora Globo 13ª edição – 1998 – São Paulo</p>
<p style="text-align: justify;"><em>La Felicidad Desesperadamente</em><em>,</em> André Comte-Sponville – 2008 – Paidós – Buenos Aires – Argentina.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>El Milagro Secreto</em>, Jorge Luis Borges, 2011 – Obras Completas tomo I – Editorial Sudamericana – Buenos Aires – Argentina.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pequeno Tratado das Grandes Virtudes</em>, André Comte-Sponville – Martins Fontes – São Paulo – 2012.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=OqqyqQaFBQc" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=OqqyqQaFBQc</a> (Filme)<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=xzW_7ANnHZI" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=xzW_7ANnHZI</a> (Sonny &amp; Cher – I Got You Babe)</p>
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